-A Historicidade judaico-cristã sob a luz da Ciência-

                                                                    (Osíris - deus do julgamento e do além)                                                                   
Mito de Osíris - século XXIV AEC 

Homens estudiosos e inteligentes, contestam as falsas verdades elaboradas pelo judaísmo e o cristianismo, com argumentos irretorquíveis.

Muitos séculos antes do surgimento do judaísmo, Zoroastro ou Zaratrusta havia criado uma religião, segundo a qual havia uma eterna luta entre o bem e o mal. Aura Mazzda ou Ormuzd, o deus do fogo e da luz, representavam o bem em luta contra Angra Maniú ou Iarina, o deus das trevas. Nessa luta, Ormuzd foi auxiliado por seu filho Mitra, o espírito do bem e da justiça, mediador entro Ormuzd e os homens. Ormuzd mandou seu filho à terra, o qual nasceu de uma virgem pura e bela, que o concebeu através de um raio de sol. Morreu e ressuscitou em seguida, Essa religião foi levada para Sicília pelos marinheiros persas, nos últimos séculos da era passada. Inventando o cristianismo, os judeus nada mais fizeram do que sincretizar o judaísmo ortodoxo com a religião de Mitra, sem esquecer de Osíris e Átis, cujas religiões eram também muito aceitas em Roma e Alexandria.

Vestígios do mitraísmo foram encontrados em escavações recentes, feitas em Óstia, os quais datam do século I. O mitraísmo era praticado em catacumbas, em grutas e em subterrâneos. O cristianismo copiou-lhe a prática. Daí porque disseram que Jesus nascido em uma gruta e nos primeiros tempos, o cristianismo foi praticado em catacumbas. Ísis também representava a grande vaca Hátor, que tinha como templo uma gruta. Assim sendo os cristãos foram para as catacumbas, não fugindo das autoridades imperiais, mas tão somente para observar o ritual mitraico.

Os mitraicos também davam seus banquetes subterrâneos eram os banquetes pessoais comum nos ritos solares e no judaísmo. Em ambos, havia o rito do pão e do vinho. Mitra, o Sol Invictos, era festejado em dezembro, como Jesus. Outras aproximações entre o culto de Mitra e o de Jesus, no cristianismo: o uso da cruz do Sol Radiante, a cruz do Sol Invictus a qual expandia raios; o uso da pia batismal com a água benta, as refeições comunais, a destinação do domingo para o descanso em homenagem ao Senhor; a águia e o touro do ritual mitraico foram tomados para símbolos dos evangelistas Marcos e Lucas. Antigos quadros e painéis trazem a figura dos evangelistas com a cabeça desses animais.

Do helenismo, copiaram a crença da imortalidade da alma, a vida no além, o Inferno, o diabo, a ressurreição, o dia do juízo; práticas e crenças igualmente existentes no mitraísmo. Graças a esses espertos arranjos, durante muito tempo, o crente frequentou indiferentemente o templo cristão, de Mitra ou de Ísis, crendo estar na Igreja antiga, onde iam consultar o oráculo. Por isso, Teófilo, em Alexandria, mandou construir um templo cristão ao lado de um templo de Ísis, onde se anunciava o oráculo, quando as profecias vinham de uma revelação astral, mediante a camuflagem das vozes de antigos bispos ali enterrados.

Uma das coisas que favoreceram o cristianismo, foi a abolição do sacrifício sangrento. Muitos correram a abraçar a nova crença para escapar de morte em um desses atos propiciatórios. Spinoza e Hobbes, no século XVIII. mostraram que o Pentateuco foi composto no século II AEC. graças ao que o sacerdote judeu havia aprendido no cativeiro babilônio, fato que aconteceu no século IV AEC. Levantamentos arqueológicos do começo do século XX, levados a efeito nos subsolos da Babilônia, provaram que o Deuteronômio resultou, em grande parte, do que os sacerdotes judeus haviam copiado da legislação religiosa, civil e criminal de Hamurabi, a qual, por sua vez resultara do que se sabia da civilização acádia, e que naqueles tempos já era vetusta. Lendariamente falando, Isaías ao profetizar acerca de diversos reis de várias épocas mostra que seu nome foi inventado séculos depois dos fatos haverem ocorrido.

Um desses reis foi Dario, o rei persa que governou em 538 AEC., que como sabemos libertou os judeus do cativeiro. Herodes morreu no ano IV AEC., foi responsabilizado pela matança dos inocentes, para compor o controvertido romance da fuga para o Egito.

Tudo o que até agora temos relatado, constituí provas evidentes de que a Bíblia não tem a Antiguidade nem a veracidade que lhe pretendem imprimir. Os zilotas ou zelotas que seguiam a linha comunista dos essênios combatiam tanto os judeus ricos como a ocupação romana. Os essênios ao professar, faziam votos de pobreza, quando juravam nada contar da seita para os estranhos e nada ocultar dos companheiros. Era um dos ramos do judaísmo em que não mais se oferecia sacrifício sangrento, o que foi copiado pelo cristianismo.

Os Evangelhos foram compostos para enquadrar Jesus no que está previsto nos salmos 22, 30 68 e 87, onde temos a narração explicita de um devoto chamado de Nasdrin. Esse devoto era entregue ao sacerdote através do sacrifício de duas pombinhas, análogo ao Cristo judeu. Após isso, raspavam sua cabeça e largavam-no pelo deserto onde permanecia por 40 dias (incertos), sem tomar banho, comer sem cortar o cabelo e a barba. Não podia ser tocado durante esses 40 dias, onde após o suplicio quem o tocasse era salvo ou curado de alguma enfermidade.

Lembremos de Sansão que também foi um Nazdrim, não podiam cortar o cabelo por causa do voto feito. Ora, está mais que obvio que o Jesus Cristo bíblico é uma alusão aos Nazdrins, misturados com uma infinidade de conceitos helênicos e egípcios, só não vê quem não pode ou não quer... De modo que, Jesus não passou de um ator arranjado para representar o drama do Gólgota. Cumpriu as Escritas como ator e não como sujeito de uma vida real.

Reimarus, filósofo alemão que morreu em 1768, estudou a fundo a história de Jesus. Chegou a conclusões irrefutáveis, que assombraram a Igreja muito mais do que Copérnico ou Darwin. Disse que se Jesus tivesse mesmo existido, seria quando muito, um político ambicioso que fracassara completamente em suas conspirações contra o governo. Emmanuel Kant foi o primeiro filósofo que conseguiu racional e inteligentemente, expulsar Jesus da história humana, através de uma impressionante e profunda exegese do herói do cristianismo.

Volney, em "As Rumas de Palmira", após regressar de uma longa viagem de pesquisas sobre Antiguidade clássica pelo Oriente Médio, elaborou o trabalho acima referido, no qual nega a existência física de Jesus Cristo.

Arthur Drews, igualmente viveu muitos anos na Palestina, dedicando-se ao estudo de sua história antiga, concluiu que Jesus Cristo jamais foi um acontecimento palestino. Examinou todos os lugares pelos quais os evangelistas, pretenderam tivesse Jesus passado. Constatou então, que o cristianismo foi totalmente estruturado em mitos, entretanto, organizado de modo a assumir o aspecto de verdade incontestável, a ser imposta pela Igreja. Todavia, para sorte nossa, homens estudiosos e inteligentes, contestam as falsas verdades elaboradas pelo cristianismo, com argumentos irretorquíveis.

Dupuis disse que, aqueles que fizeram de Jesus um homem, conseguiram enganar tanto quanto os que o transformaram em um deus. Em suas observações, deixa patente que o romance de Jesus, nada mais é do que a repetição das velhas lendas dos deuses solares.

Vejamos suas palavras: "Quando tivermos feito ver que a pretensa história de um deus que nasceu de uma virgem, no solstício do inverno, depois de haver descido aos infernos (limbo), de um deus que arrasta consigo um cortejo de doze apóstolos, - os doze signos solares - cujo chefe tem todos os atributos de Jano, um deus vencedor do deus das trevas, que faz transitar o homem império da luz e que repara os males da natureza, não passa de uma fábula solar... ser-lhe-á pouco menos indiferente examinar se houve algum príncipe chamado Hércules, visto haver-se provado que o ser consagrado por um culto, sob o nome de Jesus Cristo é o Sol, e que o maravilhoso da lenda ou do poema tem por objeto este astro, então parecerá que os cristãos tem a mesma religião que os índios do Peru, a quem os primeiros fizeram degolar".

Albert Kalthoft diz que Jesus personifica o movimento sócio-econômico, que no século I sublevava o escravo, o pobre e o proletário. O seu messianismo foi espertamente aproveitado pelos líderes dos judeus da diáspora. Aqueles que exploravam a desgraça do judeu pobre em benefício próprio. Vimos essa mesma situação na segunda guerra, quando da invasão dos alemães nazistas na Polônia, e da formação dos guetos judaicos, com os judeus poloneses que são chamados de galicianos e sofrem de um forte desprezo e preconceito por parte dos judeus asquinazins, que são os judeus alemães e norte americanos. "Os judeus galicianos sofreram muito mais nas mãos de judeus asquinazins, do que na mão dos próprios nazistas" afirmou Alex Bilstein.

Acrescenta que a divergência que existe entre os quatro evangelistas, resultam das várias tendências daquele movimento social revolucionário nascido em Roma, do qual a versão palestina é apenas o reflexo. Salonmon Reinach, em "Orheus", salienta o completo silêncio dos autores contemporâneos de Jesus Cristo, acerca de sua pretensa existência. Tal silêncio verifica-se tanto entre os escritores judeus, como entre os não judeus. Examina em profundidade as "Acta Pilati" e constata que os acontecimentos que o cristianismo situou em seu governo, não foram do que ressuscitou no equinócio da primavera, de seu conhecimento, e assim sendo Pilatos jamais soube qualquer coisa a respeito de Jesus Cristo.

Pierre Louis Couchoud afirma que a existência real de Jesus é indemonstrável, do ponto de vista histórico. E acrescenta que as referências feitas por Flávio Josefo a Jesus, não passam de falsificação de textos, sobejamente provada hoje pelos peritos da crítica histórica. Contra os menos Favorecidos Os maiores movimentos históricos tiveram como origem os mitos, cujo papel social é dar forma aos anseios inconscientes do povo. Compara, inclusive, a lenda de Jesus com a de Guilherme Tell, na Suíça. Todos sabem tratar-se de uma lenda nacional, todavia, Guilherme Tell é ali reverenciado como herói verdadeiro e real. Seu nome promove a união política dos cantões, embora falem línguas diferentes. É possível que o mesmo aconteça em relação a Jesus e o cristianismo.

Estando em jogo interesses de ordem social, política e, sobretudo, econômica, os líderes cristãos preferem deixar o mito de pé, pois enquanto houver cristãos, sua profissão estará garantida e os lucros continuarão sendo por eles auferidos. O que se faz necessário é que o povo seja esclarecido acerca dos assuntos de crenças e religiões nos termos da verdade, da razão e da lógica, afim de que, se libertando dos velhos preconceitos e tabus, possa enfim ver o mundo e as coisas em sua realidade objetiva.

O filosofo francês Laucan afirmou que vivemos em uma eterna busca pela fantasia e utopia e nos esquecemos de viver pela razão, mas sim pelo sonho. E não ignoramos, qual a realidade objetiva que predomina no cristianismo: é a exploração dos menos favorecidos intelectual e economicamente. Quem mais contribui para as campanhas da Igreja, são aqueles que menos possuem, cuja mente encontra-se obstruída pelas idéias e crenças religiosas. Sua pobreza material alia-se à pobreza intelectual. Uma boa dose de conhecimentos científicos, é certamente a melhor maneira de remover os obstáculos à libertação do homem, criados pelos lideres religiosos, em suas pregações.

Entretanto, sabemos que nem sempre é possível a aquisição de tais conhecimentos. Muitos são os fatores que se interpõem entre o homem pobre, o operário, o trabalhador e a cultura.

Um desses fatores, por sinal, muito ponderável, é o econômico financeiro. Como fazer para ir à escola, comprar livros, etc, se tem que trabalhar duro pela vida, e o que ganha mal dá para sobreviver? Bem poucos são os que conseguem reunir os conhecimentos necessários, que lhe permitam enxergar mais longe, e romper as invisíveis cadeias que os prendem aos dogmas e preconceitos ultrapassados pela razão e pela ciência.

O mais cômodo para aqueles deserdados será esperar a recompensa das agruras da vida no céu, após a morte. Afinal de contas, os padres e os pastores estão aí para isto: vender "Deus" e o céu a grosso e no varejo. É possível que movido pela mesma razão, Proudhon tenha escrito: "Os que me falam em religião, querem o meu dinheiro ou a minha liberdade". Desta forma em poucas palavras, ficou bem claro o sentido e o objetivo da religião: subtrair ao indivíduo a sua liberdade de pensamento e de ação, e com ela, o seu dinheiro.

Note bem, você conhece algum padre ou pastor que veio falar-lhe sobre "Deus", sem tocar no assunto dinheiro para comprar Cds ou algum livrinho de auto-ajuda„ doação para a pregação do evangelho”?

Vamos então reforçar com clareza, e ao contrario da bíblia, que não traz prova nenhuma (pois é um objeto de fé) que a existência de Jesus Cristo é um fato jamais registrado pela história. Os documentos históricos que o mencionam, foram falsificados por ordem da Igreja, num esforço para provar sua pretensa existência, apesar de possuir provas de que Jesus é um mito. E assim agiu, movida pelo desejo de resguardar interesses materiais. Eu não entendo um deus que é puro espírito, tendo necessidades materiais e ensinando ao seu povo tal filosofia.

Ganeval apontou a semelhança entre o culto de Jesus Cristo e o de Serápis. Ambos são uma reencarnação do deus "Phalus", que por sua vez, era uma das formas de representação do deus Sol. Irineu chegou a afirmar que o deus dos cristãos não era homem nem mulher. Papias cita trechos dos Evangelhos, mostrando que se referiam ao Cristo egípcio. Referindo-se, ao "logos", que seria Jesus Cristo, disse ter sido ele apenas uma emanação de Deus, produzida à semelhança do Sol.

É bom lembrar que essas opiniões divergentes entre si, são de três teólogos do cristianismo. Essas opiniões foram emitidas, quando estava acesa a luta de desmentidos recíprocos da Igreja, contra os seus numerosos opositores, ou seja, os que desmentiam a existência física de Jesus. Então, criaram uma filosofia abstrata, baseando-se nos escritos de Fílon. Ganeval, baseando-se em Fócio, disse que Eudosino, Agápio, Carino, Eulógio e outros teólogos do cristianismo primitivo, não tiveram um conceito real nem físico de Jesus Cristo. Disse mais que Epifânio falando sobre as seitas heréticas dos marcionítas, valentinianos, saturninos, simonianos e outros, que foram massacrados, falava que o redentor dos cristãos era Hórus, o filho de Ísis, um dos três deuses da trindade egípcia, que mais tarde viria a ser Serápis.

 Paulo ou o suposto Paulo não tinha a menor ideia de um cristo terreno. O Cristo das epístolas esta em outra dimensão. Quando Paulo fala que cristo se fez carne para nos salvar, ele estava simplesmente copiando os mistérios gnósticos que eram muitos à sua época. Não foi a toa que os gregos riram dele quando da sua pregação em Atenas. A ideia "inovadora" de Paulo já estava pra lá de desgastada em Atenas.

O cristianismo só tomou força mais tarde na Grécia através da força. Ganeval afirmou ainda que os docetistas negavam a realidade de Jesus, e para refutar a negação, o IV Evangelho põe em relevo a lança que fez sair água e sangue do corpo de Jesus, com o intuito de provar sua existência física, Segundo Jerônimo, esses docetistas teriam sido contemporâneos dos supostos apóstolos. Lembra ainda, que o imperador Adriano viajando em 131 para Alexandria, declara que "o deus dos cristãos era Serápis, e que os devotos de Serapis eram os mesmos que se chamavam os bispos de cristãos".

Adriano, decerto estava com a verdade. Documentos daquela época, informam que existiam os atuais Evangelhos, assim como Tácito informa que os hebreus e os egípcios, formavam uma só superstição. Os escritos de Fílon, não se referem a Jesus Cristo, conforme pretenderam fazer crer os falsificadores, mas, a Serápis. Quando havia referências aos cristãos terapeutas, afirmavam que se falava dos cristãos de Jesus. Por sua vez, Clemente de Alexandria e Orígenes escreveram negando Jesus e falando em Cristo, o qual seria Crestus.

No entender de Fócio, tudo isso não passava de fabulação mítica, não tendo existido Jesus nem Cristo, de que a Igreja criou o seu Jesus Cristo. Duquis e Volney, fazendo o estudo da mitologia comparada, mostram de onde retiraram Jesus Cristo: do próprio mito. Filon escrevendo a respeito dos cristãos terapeutas, disse que o seu teor de vida era semelhante ao dos cristãos e essênios. Abandonavam bens e família, para seguir apaixonadamente aos sacerdotes. Epifânio escreveu que os cristãos terapeutas viviam junto do lago Mareótides, tendo os seus Evangelhos e os seus apóstolos. É sobre esses cristãos que Fílon escreveu.

Se os cristãos seguidores de Jesus Cristo já existissem, Fílon não poderia deixar de falar deles. Quando do pretenso nascimento de Cristo, Fílon contava apenas 25 anos de idade. Os Evangelhos, tendo surgido muito tempo após a morte de Fílon e de Jesus, não poderiam ser os do cristianismo por ele referido - Clemente de Alexandria e Orígenes, não criam na encarnação nem na reencarnação, motivo porque não creram na encarnação de Jesus Cristo, embora fossem padres da Igreja. Orígenes morreu e Fócio escreveu sobre "Disputas", de Clemente, e afirmou que ele negara a doutrina do "Logos", dizendo que o "Verbo" jamais se encarnou, afirmação igualmente feita por Ganeval. Analisando os quatro volumes de "Principia", de Orígenes, percebe-se que o "Logos" ou o "Verbo" era o mesmo sopro de "Jeová", referido pelo fictício Moisés, copiado de Platão.

Fócio tendo-se escandalizado com isso, disse que Platão Orígenes era um blasfemo. Apenas analisando como se referia ao Verbo, a Crestus e ao Salvador, é que se pode excluir a possibilidade da existência física de Jesus. Tratariam-lhe, de modo bem diferente, se tivesse realmente existido.

Mazelas: A existência de Paulo é fictícia? Paulo na realidade seria apenas um termo litúrgico?

Se recordarmos sobre as idéias filosóficas do cristianismo primitivo, chegaremos em Fílon e Sêneca, os pais filosóficos do cristianismo, que influenciaram fortemente o mítico Paulo. Lucius Annaeus Sêneca, melhor conhecido como Sêneca, o moço, nasceu por volta do ano 4 antes de Cristo em Córdoba, na altura pertencente ao Império Romano, e morreu no ano 65 depois de Cristo. Com 48 anos de idade tornou-se o educador do imperador Nero, que o obrigou a suicidar-se por causa da sua participação na conspiração de Piso.

Era o segundo filho de Hélvia e de Marcus Lucius Annaeus Sêneca (Sêneca o velho). O pai era um orador eloquente e muito abastado. O irmão mais velho de Lucius chamava-se Gallioe era procônsul (administrador público) em Acaia, onde em 53 EC. se encontrou com o apóstolo Paulo. Sêneca o jovem foi tio do poeta Lucano. No ano 65 EC, Sêneca foi acusado de ter participado na conspiração de Piso, na qual o assassinato de Nero teria sido arquitetado. Sem qualquer julgamento, foi obrigado a cometer o suicídio. Na presença dos seus amigos cortou os pulsos.Tácito relatou a morte de Sêneca e da mulher Pompéia Paulina, que se suicidou de seguida.

Apesar de Sêneca ter sido contemporâneo de Cristo, não fez quaisquer relatos significativos sobre os fenômenos milagrosos que aparentemente anunciavam o despertar de uma poderosa nova religião. Um fato tanto mais curioso quanto Sêneca, como filósofo que era, se terá interessado por todos os fenômenos da Natureza, como observou Edward Gibbon, historiador representativo do iluminismo do século XVIII, perito na história do Império Romano e autor do aclamado livro ("A história do declínio e queda do império romano"), uma referência ainda hoje. Sêneca ocupava-se de questões sobre a forma correta de viver a vida, ou seja, com a Ética.

Ele via o sereno estoicismo como a maior virtude. Juntamente com Marco Aurélio e Cícero ele está entre os mais importantes representantes da Stoa romana (Stoa significa literalmente pórtico). Sêneca via no cumprir do dever um serviço à Humanidade. Ele procurava aplicar a sua filosofia à prática. Deste modo, apesar de ser rico, ele vivia modestamente: bebia apenas água, comia pouco, dormia sobre um colchão duro. Sêneca não viu nenhuma contradição entre a sua filosofia estóica e a sua riqueza material: Ele dizia que o sábio não estava obrigado à pobreza, desde que o seu dinheiro tenha sido ganho de forma honesta.

No entanto, o sábio deve ser capaz de abdicar dele. Sêneca via-se como um sábio imperfeito: "Eu elogio a vida, não a que eu levo, mas aquela que eu sei que deve ser vivida." Afetos (como relutância, vontade, cobiça, receio) devem ser ultrapassados. O objetivo não é a perda de sentimentos, mas a ultrapassagem dos afetos. Os bens podem ser adquiridos. Com a condição de não deixarmos que se estabeleça uma dependência deles. Para Sêneca, o destino encontra-se predestinado.

O homem pode apenas aceitar o seu destino ou rejeitá-lo. Se ele o aceita de vontade livre, então goza da sua liberdade. A morte é um dado natural. O suicídio não é categoricamente excluído por Sêneca. Verificamos então a forte influência sofrida por Paulo de Tarso advinda do pensamento de Sêneca. A forte pregação de Paulo elevando nas alturas as virtudes do bom viver estóico misturado com costumes judaicos, resultou na filosofia paulina, incorporada então ao cristianismo. Lembrando que a base para o cristianismo se formou fortemente com o pensamento grego, judeu e egípcio. Provavelmente Fílon tornou-se o primeiro aglutinador dessas idéias. Este se tornou importante para o cristianismo porque popularizou a filosofia estóica de modo que um simples escravo pudesse ao seu modo simples, entende-la.

O cristianismo foi basicamente isso, as concepções filosóficas platônicas, aristoléticas, neo-pitagóricas (Pitágoras)e estóicas, misturadas com crendices judaicas e religião egípcia popular. Fílon com já vimos aparece como o pai do cristianismo, mas o mesmo nunca foi cristão. Nos evangelhos foram colocados na boca de Cristo varias citações estóicas e cínicas, note que Cristo é quem sempre termina com a palavra em qualquer discussão, e isso é uma característica da filosofia cínica. Quando Cristo é indagado por comer com os publicanos, este responde em tom de sarcasmo; por acaso não é os doentes que precisam de medico?

Uma perfeita cópia do legado cínico onde o mestre cínico é perguntado o porque dele frequentar lugares indignos; este também responde com ar de sarcasmo; por acaso não é nos lugares mais escuros que se necessita de luz?

Mazelas e Prelúdios O autor dos Atos dos Apóstolos apresenta-nos Paulo (então chamado Saulo), ao relatar a morte de Estevão por apedrejamento. Informa-nos que Paulo não só consentiu na morte do apóstolo, como também "assolava a igreja, fazendo grandes estragos". E conta-nos depois (capítulo 9) a sua conversão. A caminho de Damasco sofre uma experiência traumática (relatada por Lucas; embora Paulo, por estranho que pareça, não a confirme plenamente). Uma luz, vinda do céu, derruba-o do cavalo. E ouve dizer: "Saulo, Saulo, porque me persegues?" Recuperado, descobre ter ficado cego. Recupera a visão em Damasco e faz-se batizar.

Durante o seu ministério, Paulo volta-se decididamente para os gentios. É desconcertante verificar que, nas "suas" cartas, não há qualquer vislumbre de palavras, gestos ou atitudes de Jesus, talvez por não os julgar adequados ao público gentio, quer dizer, aos não-judeus. O conteúdo da sua obra missionária em Antioquia é posto em causa. Os chefes da comunidade de Jerusalém, que advogam o estrito cumprimento da Lei, acusam Paulo de arrogância, de desvio do ensinamento original, puro. Ele mesmo o reconhece. E surge, com o tempo, um clima de atrito que levou Paulo a sustentar violentas querelas com os primeiros apóstolos – particularmente com Pedro. Porque teria alimentado esse conflito, inesperadamente violento, com Pedro, biblicamente falando, discípulo de Jesus, (Gálatas 2: 11-21), chegando a repreendê-lo severamente, a chamar-lhe hipócrita (Gál. 2, 13) e acusá-lo de "não andar retamente segundo a verdade" (Gálatas 2:14)?

Este incidente só pode ser entendido pela análise da influência essência na "igreja primitiva". De fato, o estudo crítico revela, surpreendentemente, que entre os essênios e os primeiros cristãos há muito mais do que o simples uso de palavras comuns: há uma autêntica e profunda comunhão de espírito que se revela na organização das primeiras comunidades e na função dos seus membros.

Os conceitos filosóficos essênios, bem como a sua linguagem, são particularmente visíveis nos Atos dos Apóstolos, na Epístola de S. Tiago e nas abundantes cartas de Paulo. Vamos ver apenas dois exemplos: O paqid, inspetor ou administrador da comunidade de Qumrã, é equivalente a epískopos, de onde vem, por intermédio do latim, a palavra "bispo". E a palavra "multidão", que nos Atos dos Apóstolos designa o conjunto de fiéis, corresponde a rabbim, termo hebraico que exprime a ideia de grandeza pelo número – ou a de dignidade. É esta a origem do título "Rabino", dado aos doutores da Lei judaica. Para compreendermos esta fase histórica do cristianismo, anterior à fusão do "magistério" com o "império", estudemos, em primeiro lugar, a importante função de Pedro, o primeiro apóstolo.

A Organização da Comunidade Essência se nos debruçarmos sobre a análise de um dos manuscritos essênios, chamado "A Regra", ficamos a saber como se fazia a admissão de membros na comunidade. Todos tinham de passar por um exame à sua inteligência e às suas aptidões para a disciplina. Este exame era feito por um supervisor, inspetor, inquiridor, ou ainda prognosticador, como lhe quisermos chamar, que tem um título: Kephãs.

Esta palavra aramaica equivale ao qualificativo grego Cephãs, aplicado a Simão. O significado da palavra é hoje um tanto complexo, embora perfeitamente definido para os essênios. Designava aquele que, como Simão, era capaz, entre outras coisas, de "ler os pensamentos e o rosto das pessoas", ou seja, que era clarividente e dotado da capacidade de profetizar. Aliás, este é o único nome pelo qual Paulo parece conhecer o chefe da Comunidade de Jerusalém (a rara aparição, nas epístolas, do nome Pedro, é geralmente considerada uma intrusão tardia).

Essênios, Curadores e Profetas É conhecida a reputação dos essênios como terapeutas ou curadores, capazes de curar: o corpo, das doenças; e o espírito, das obsessões. Esta capacidade de visão especial, que permite desmascarar o espírito obsessor e expulsá-lo do corpo do doente, é constantemente relatado no Novo Testamento. Não ordenou Jesus ao espírito obsessor que deixasse a sua vítima, perguntando-lhe "Que nome é o teu?" (Marcos, V). As atividade curativas também são comuns na vida de Pedro. Na história da cura dum aleijado (At. 3, 4-5) e na do incidente com Ananias (At. 5, 1-4) há alusões claras à sua capacidade de "visão espiritual".

                                                  (O Sinal do Profeta Jonas)

No evangelho de Mateus, Simão é mencionado pelo seu patronímico "filho de Jonas". Em aramaico, a frase seria bar-yonah (bar = filho de). Mas os estudiosos admitem há muito que o sobrenome não seria um patronímico, mas um título. De fato, esta palavra, diz John Allegro, deve ser lida baryona, que significa "o vidente". Por isso, a frase "bem-aventurado és tu Simão, filho de Jonas..." terá um sentido diferente: "bem-aventurado és tu, Simão, o vidente..." (Mateus 16: 17-18). Não se compreende melhor, assim, o resto do versículo?

Ficamos também a saber, agora, a origem e o sentido autêntico do passo do Evangelho de S. Mateus, em que Jesus interroga os discípulos 10: "E vocês, quem acham que eu sou?" Unicamente Simão, olhando-o, reconheceu, clarividentemente, a sua tarefa messiânica! Foi ele quem, tendo preparado já a sua "pedra filosofal", como diz Max Heindel 11, por meio da alquimia espiritual, conquistou o direito de possuir "as chaves do reino espiritual", quer dizer, tinha acesso aos mundos do espírito.

                                                       (Petros e a Pedra)

O jogo com as palavras gregas Petros (Pedro) e petra (Pedra), é óbvio e está relacionado com o percurso iniciático. Max Heindel analisa-o em pormenor e esclarece que, no caminho da evolução, há três passos fundamentais. Ao primeiro corresponde a Petra, a rocha firme e dura, sinônimo de insensibilidade. Com o segundo se relaciona a litos, a pedra cúbica, polida pelo serviço. E o terceiro está associado a psêphos leukê, a "pedra branca" a que se refere o Apocalipse (2, 17).

É, pois, pelo fato de o apóstolo Simão já ter a função de "rocha" (cefas), de selecionador, de ser vidente e profeta, que se lhe dá o nome de Pedro e não o contrário, dando a entender também que Pedro, como nome próprio dado a uma pessoa que realmente existiu, pode ser apenas uma alusão ao título de cefas, ou seja, para ser tornar um cefas teria-se que ser como uma rocha ou pedra.

Com o papismo, o papa, sucessor de "Pedro", ora ganhou, ora perdeu; mas ainda lhe restam mais de cinquenta milhões de homens mais ou menos sobre a terra, submissos em muitos pontos às suas leis, além de seus súditos imediatos. O papel do Papa hoje está meio que alquebrado, mas sempre tem uma conspiração romana por detrás de qualquer assunto que interesse à mesma. Quantos desmandos e interesses escusos em todo esse tempo de existência da dita igreja.                                             


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