Claudio Murdoch - (Religião Primitiva)
(Religião Primitiva)
A religião primitiva teve uma origem biológica, um desenvolvimento evolucionário natural, independentemente das conjunções morais e de todas as influências espirituais. Os animais superiores têm medos, mas não têm ilusões e, consequentemente, nenhuma religião. O homem cria as suas religiões primitivas dos próprios temores e por meio das suas ilusões. Na evolução da espécie humana, a adoração, nas suas manifestações primitivas, apareceu muito antes que a mente do homem fosse capaz de formular os conceitos mais complexos de vida que agora, e futuramente, são de chamados de religião. A religião primitiva tinha uma natureza baseada inteiramente em circunstâncias de relacionamento.
Os objetos da adoração eram sempre sugestivos; consistiam de coisas da natureza que estavam à mão, ou que ocupavam lugar bem comum na experiência dos urantianos primitivos de mentes simples. Ao mesmo tempo em que a religião evoluiu além da adoração da natureza, ela adquiriu raízes de origem espiritual, entretanto, foi ainda sempre condicionada pelo ambiente social. À medida que se desenvolveu a adoração da natureza, o homem imaginou conceitos de uma divisão do trabalho para o mundo supramortal; havia espíritos da natureza para os lagos, as árvores, as cachoeiras, a chuva e centenas de outros fenômenos terrestres comuns.
Em um momento ou em outro, o homem mortal adorou tudo sobre a face da Terra, incluindo a si próprio. Ele adorou também tudo o que fosse imaginável, no céu e sob a superfície da Terra. O homem primitivo temia todas as manifestações de poder; e adorou a todos os fenômenos naturais que não podia compreender. As forças naturais poderosas, tais como as tempestades, as enchentes, os terremotos, os deslizamentos de terra, os vulcões, o fogo, o calor e o frio, e a sua observação, impressionaram em muito a mente em expansão do homem.
As coisas inexplicáveis da vida ainda são chamadas de "atos de Deus" e de "dispensações misteriosas da Providência". Podemos determinar, três fases na crença humana: A fase primeira onde o homem começa a colocar nos objetos à sua volta, sua própria natureza, ou seja, o homem sugere uma vida, comparável à sua, para objetos e animais. Uma pedra passa a ter vida e sentimentos humanos. Com a evolução da imaginação compassiva, adentramos à segunda fase, onde os desejos e anseios humanos já não cabiam mais em seres e objetos reais, necessitou-se então da criação de seres ultra-reais, ultra-humanos, para explicar os acontecimentos e fenômenos que faziam parte da experiência sensível.
Mesmo assim o homem continuou a expressar sua própria existência nos seres invisíveis. O homem passa a acreditar que através de palavras ele pode comandar a natureza que o limita. Através de um jogo de letras é possível trazer a chuva, ou parar o Sol. Iahwéh disse; faça-se luz e se fez luz, numa simplicidade extremamente primitiva.
A terceira e última fase começa com a contemplação da natureza por parte do homem, não mais para adora-la, mas sim, para aprender com ela. Não é muito fácil pregar a razão quando ainda temos resquícios das duas fases primeiras aprisionando o intelecto humano.
(A ADORAÇÃO DE PEDRAS E MONTANHAS)
O primeiro objeto a ser adorado pelo homem em evolução foi uma pedra. Hoje, o povo Kateri, do sul da Índia, ainda adora uma pedra, como o fazem numerosas tribos no norte da Índia. Lendariamente falando, Jacó dormiu sobre uma pedra porque ele a venerava; e até mesmo a ungiu. Raquel ocultava um bom número de pedras sagradas na sua tenda. As pedras primeiro impressionaram o homem primitivo, por serem extraordinárias, em vista do modo pelo qual tão subitamente apareciam na superfície de um campo cultivado ou de um pasto. Os homens não levavam em conta a erosão, nem os resultados dos arados sobre o solo.
As pedras também impressionaram muito aos povos primitivos, pela sua frequente semelhança com animais. A atenção do homem civilizado detém-se em numerosas formações de pedras, nas montanhas que tanto se assemelham às faces de animais e mesmo de homens. Contudo, a influência mais profunda foi exercida pelos meteoros que os humanos primitivos viam entrar na atmosfera, em uma grandiosidade flamejante. A estrela cadente era atemorizante para o homem primitivo, que acreditava facilmente que aqueles riscos flamejantes marcavam a passagem de um espírito a caminho da Terra.
Não é de causar surpresa que os homens fossem levados a adorar tais fenômenos, especialmente quando descobriram subsequentemente os meteoros. E isso levou a uma reverência ainda maior a todas as outras pedras. Em Bengala muitos adoram um meteoro que caiu na Terra em 1 880 EC. Todos os clãs e tribos antigas tinham as suas pedras sagradas, e a maior parte dos povos modernos manifesta uma certa veneração por alguns tipos de pedras, as suas jóias. Um grupo de cinco pedras foi reverenciado na Índia; na Grécia, foi um agrupamento de trinta delas; em meio aos homens vermelhos, foi comum um círculo de pedras.
Os romanos sempre atiravam uma pedra para o ar, quando invocavam Júpiter. Na Índia, até hoje, uma pedra pode ser usada como testemunha. Em algumas regiões, uma pedra pode ser empregada como um talismã da lei, e um transgressor pode ser levado ao tribunal pelo seu prestígio. Todavia, os simples mortais nem sempre identificam a Deidade com um objeto de cerimônia reverente. Tais fetiches são, muitas vezes, meros símbolos do objeto real da adoração.
Os antigos tinham uma consideração peculiar pelos orifícios nas pedras. Supunhase que essas rochas porosas fossem inusitadamente eficazes para curar doenças. As orelhas não eram perfuradas para o porte de pedras, mas as pedras eram colocadas ali para manter os furos das orelhas abertos. Mesmo nos tempos modernos, as pessoas supersticiosas fazem furos nas moedas. Na África, os nativos fazem grande alarde dos seus fetiches de pedras. De fato, em meio a todas as tribos e povos atrasados, as pedras são ainda mantidas em uma veneração supersticiosa. A adoração das pedras ainda agora está muito disseminada por todo o mundo.
A pedra tumular é um símbolo sobrevivente das imagens e dos ídolos esculpidos na pedra, em vista das crenças nos fantasmas e nos espíritos dos companheiros que se foram. A adoração de colinas veio depois da adoração da pedra, e as primeiras colinas a serem veneradas foram grandes formações de rochas. Em seguida, tornou-se hábito acreditar que os deuses habitavam nas montanhas, de um tal modo que as altas elevações de terras eram adoradas por mais essa razão. Com o passar do tempo, certas montanhas eram associadas a certos deuses e, portanto, tornavam-se sagradas.
Os aborígines ignorantes e supersticiosos acreditavam que as cavernas levavam ao submundo, com os seus espíritos e demônios malignos, em contraste com as montanhas, que eram identificadas com os conceitos, de um desenvolvimento mais recente, das deidades e dos espíritos bons. Zeus o deus maior grego mora em uma montanha, Iahwéh se mostrou para Moisés em uma montanha, onde forneceu ao seu povo os Dez Mandamentos, o Monte Sinai (Turi-sinnin), um destacado monte no Deserto da Arábia, na península entre os dois braços do Mar Vermelho, onde monges da Idade Media o associaram ao mítico monte bíblico. Por isso é que se denomina de a Montanha de Moisés (Jabal Mussa).Os israelitas acamparam no seu sopé por cerca de um ano, adorando a montanha.
Plantas e Árvores As plantas primeiro foram temidas e depois adoradas, por causa dos líquidos intoxicantes que se derivavam delas. O homem primitivo acreditava que a intoxicação fazia com que alguém se tornasse divino. Supunham haver algo de inusitado e sagrado em tal experiência. Mesmo nos tempos modernos, o álcool é conhecido como "espírito". O homem primitivo via a semente germinando com um temor e um respeito supersticioso. O apóstolo Paulo não foi o primeiro a retirar lições espirituais profundas da semente germinando, e a pregar crenças religiosas sobre ela.
(Os cultos de adoração de árvore estão nos grupos das religiões mais antigas)
Todos os casamentos primitivos eram feitos sob as árvores e, quando as mulheres desejavam ter filhos, algumas vezes iam às florestas para abraçar afetuosamente um robusto carvalho. Muitas plantas e árvores foram veneradas pelos seus poderes medicinais, reais ou imaginários. O selvagem acreditava que todos os efeitos químicos fossem devidos à atividade direta de forças sobrenaturais. As idéias sobre os espíritos das árvores variavam muito entre as tribos e raças diferentes.
Algumas árvores eram habitadas por espíritos afáveis; outras abrigavam os espíritos cruéis e enganosos. Os finlandeses acreditavam que a maior parte das árvores era ocupada por espíritos bons. Os suíços há muito desconfiavam das árvores, acreditando que continham espíritos traiçoeiros. Os habitantes da Índia e da Rússia Oriental consideravam os espíritos das árvores como sendo cruéis. Os patagônios ainda adoram as árvores, como o fizeram os semitas primitivos. Muito depois que os hebreus cessaram de adorar as árvores, eles continuaram a venerar as suas várias deidades nos bosques.
Exceto na China, houve um culto universal à árvore da vida. No gênesis bíblico temos grandes exemplos da adoração e veneração às árvores. A escada de anjos vista por Jacó, não passa de uma lenda sumeriana onde essa relata que na cidade santa de Nipur existia uma arvore gigante e reluzente, com degraus, onde os anjos (keruabs) subiam e desciam entre a terra e o céu, morada do deus Enlil. A crença de que a água, bem como os metais preciosos, debaixo da superfície da Terra, podem ser detectados por um ramo de madeira adivinhatório é uma lembrança dos antigos cultos às árvores. O mastro de Primeiro de maio, a árvore de Natal e a prática supersticiosa de bater na madeira perpetuam alguns dos antigos costumes de adoração das árvores e dos seus cultos mais recentes.
O maná tão aludido no livro do Êxodo como sendo um milagre de Deus, é apenas um subproduto de uma árvore. Maná – hebraico Man-hu, árabe Man-na. No Êxodo: 16:14, é descrito como "uma coisa pequena e redonda, igual a geada espargida pelo chão". Se deixado para o dia seguinte, ele geralmente se deteriorava, derretia-se à soalheira; a quantidade necessária para alimentar um homem era de aproximadamente um ômer, medida hebraica de capacidade, igual a cerca de 2,937 litros.
Isto, segundo os hebreus, foi provavelmente distorcido, levados que são pelo tradicional exagero. O maná verdadeiro, encontrado presentemente na região do Sinai, é uma secreção gomosa e sacarina, que se obtém de certas secreções da tamargueira. É produzida pela punctura de uma espécie de inseto, igual à cochonilha, assim como a laca é produzida pela punctura de um inseto em algumas árvores da Índia.
(A ADORAÇÃO DE ANIMAIS)
O homem primitivo tinha um sentimento peculiar e fraternal para com os animais superiores. Os seus ancestrais haviam vivido com eles e haviam, até mesmo, se acasalado com eles. No sul da Ásia acreditou-se primitivamente que as almas dos homens voltavam à Terra, na forma animal. Essa crença era um remanescente da prática ainda mais primitiva de adorar os animais.
Os homens primitivos reverenciavam os animais pelo seu poder e a sua astúcia. Eles julgavam que o apurado sentido do olfato e da visão de certas criaturas fosse um sinal de orientação espiritual. Os animais têm sido adorados por uma espécie ou por outra, em um momento ou em outro. Entre esses objetos de adoração, estavam criaturas que foram consideradas como meio humanas e meio animais, tais como o centauro e a sereia.
Os hebreus adoravam serpentes até os dias do rei Ezequias, e os indianos ainda mantêm relações amigáveis com as suas cobras caseiras. A adoração chinesa ao dragão é um remanescente dos cultos das cobras. A sabedoria da serpente era um símbolo da medicina grega e é ainda empregado como um emblema pelos médicos modernos.
A arte do encantamento das cobras tem sido transmitida desde a época das xamãs femininas do culto do amor das cobras, as quais, como resultado das picadas diárias das cobras, tornaram-se imunes; de fato, se tornaram verdadeiras dependentes do veneno sem o qual não podiam viver. A bíblia como herdeira dessas crendices, esta cheia de cobras e serpentes mágicas ou falantes. Notem a semelhança entre o símbolo de Asclépio e a serpente dourada de Moisés.
A adoração dos insetos e de outros animais foi promovida por uma má interpretação da regra dourada (que não foi absolutamente criada pelo supostor Cristo, mas sim, quase mil anos antes por Confúcio) de fazer aos outros (toda a forma de vida) como gostaríeis que fosse feito a vós. Os antigos, certa vez, acreditaram que todos os ventos eram produzidos pelas asas de pássaros e, por isso, tanto temiam como adoravam todas as criaturas com asas.
Os nórdicos primitivos julgavam que os eclipses eram causados por um lobo que devorara um pedaço do sol ou da lua. Os hindus frequentemente mostram Vishnu com uma cabeça de cavalo. Muitas vezes, o símbolo de um animal representa um deus esquecido ou um culto extinto. Primitivamente, na religião evolucionária, o cordeiro tornou-se o animal típico do sacrifício, e a pomba, o símbolo da paz e do amor (fertilidade). Os hebreus adoravam entre outros deuses, um deus com cabeça de asno, o próprio horóscopo chinês e o horóscopo dito ocidental, tem como imagens sempre relacionadas aos animais.
(A ADORAÇÃO DOS ELEMENTOS)
A humanidade tem adorado a terra, o ar, a água e o fogo. As espécies primitivas veneraram fontes e adoraram rios. E, ainda agora, na Mongólia, floresce o culto a um rio importante. O batismo tornou-se um cerimonial religioso na Babilônia, e os gregos praticavam o ritual anual do banho. Era fácil para os antigos imaginar que os espíritos residiam nas nascentes borbulhantes, nas fontes efusivas, nos rios fluentes e nas torrentes intensas.
As águas em movimento impressionavam vividamente essas mentes simples, que acreditavam na animação dos 'espíritos' e no poder 'sobrenatural'. Algumas vezes, a um homem que se afogava era negado o socorro, por medo de ofender algum deus do rio. Muitas coisas e numerosos acontecimentos têm funcionado como estímulos religiosos para povos diferentes, em épocas diferentes. Um arco-íris ainda é adorado por muitas das tribos das montanhas na Índia. Tanto na Índia quanto na África, o arco-íris é considerado como sendo uma cobra celestial gigantesca; os hebreus e os cristãos consideram-no o "arco da promessa".
Do mesmo modo, influências consideradas como benéficas, em uma parte do mundo, podem ser consideradas malignas em outras regiões. O vento oriental é um deus na América do Sul, pois traz a chuva; na Índia, é um demônio, porque traz a poeira e causa a seca. Os beduínos antigos acreditavam que um espírito da natureza produzia os redemoinhos de areia e, mesmo na época em que puseram o personagem Moisés, a crença em espíritos da natureza era forte o suficiente a ponto de assegurar a sua perpetuação na teologia hebraica, como anjos do fogo, da água e do ar.
As nuvens, a chuva e o granizo têm sido todos temidos e adorados por numerosas tribos primitivas e por muitos dos cultos primitivos da natureza. As tempestades de vento com trovões e relâmpagos aterrorizavam o homem primitivo. Tão impressionado ele ficava com as perturbações dos elementos, que o trovão era considerado a voz de um deus irado. A adoração do fogo e o temor dos relâmpagos eram ligados um ao outro e eram bem disseminados entre muitos grupos primitivos.
O fogo esteve associado à magia nas mentes dos mortais dominados pelo medo. Um devoto da magia lembrará vividamente de um resultado por acaso positivo, na prática das suas fórmulas mágicas, ao mesmo tempo em que ele se esquece, indiferentemente, de uma série de resultados negativos, de fracassos absolutos.
A reverência ao fogo atingiu o seu apogeu na Pérsia, onde perdurou por muito tempo. Algumas tribos adoravam o fogo como uma deidade em si; outras reverenciavam-no como o símbolo flamejante do espírito da purificação e da purgação das suas deidades veneradas. As virgens vestais eram encarregadas do dever de vigiar os fogos sagrados; e as velas, no século vinte, ainda queimam como uma parte do ritual de muitos serviços religiosos. Lembremos ainda que o deus bíblico sempre aparece em meio ao fogo, e que em quase todas as crenças pelo mundo afora tem como profecia o fim da humanidade através do fogo.
(A ADORAÇÃO DOS CORPOS CELESTES)
A adoração de rochas, de montanhas, de árvores e de animais desenvolveu-se naturalmente por meio da veneração amedrontada dos elementos, até a deificação do sol, da lua e das estrelas. Na Índia e em outros lugares, as estrelas eram consideradas como as almas glorificadas de grandes homens que haviam partido da vida na carne. Os cultuadores caldeus das estrelas consideravam-se como sendo os filhos do pai céu e da mãe-terra.
A adoração da lua precedeu a adoração do sol. A veneração da lua esteve no seu auge durante a era da caça, enquanto a adoração do sol tornou-se a principal cerimônia religiosa das idades agriculturais subsequentes. Lembremos que a primazia do poder matriarcal, depois substituído pelo patriarcal. A adoração solar primeiro arraigou-se extensivamente na Índia, e ali perdurou por mais tempo.
Na Pérsia, a veneração do sol deu origem ao culto mitraico posterior. Entre muitos povos, o sol era considerado o ancestral dos seus reis. Os caldeus colocavam o sol no centro dos "sete círculos do universo". Mais tarde, as civilizações honraram o sol, dando o seu nome ao primeiro dia da semana. Supunha-se que o deus do sol fosse o pai místico dos filhos do destino, nascidos de uma virgem, os quais, de tempos em tempos, se outorgavam como salvadores das etnias favorecidas.
Esses infantes sobrenaturais eram sempre encontrados, à deriva, em algum rio sagrado, para serem resgatados de um modo extraordinário, depois do que eles cresceriam para tornar-se personalidades miraculosas e os libertadores dos seus povos. O conto do Gólgota é apenas mais uma das milhares de adaptações desse mito tão comum.
(A ADORAÇÃO DO HOMEM)
Tendo adorado tudo o mais sobre a face da Terra, e nos céus acima, o homem não hesitou em honrar a si próprio com tal adoração. O selvagem de mente simples não faz distinção clara entre as bestas, os homens e os deuses. O homem primitivo tinha como supra-humanas todas as pessoas inusitadas e, assim, ele temia tais seres, a ponto de ter por eles um respeito reverente; em uma certa medida, ele os adorava literalmente.
Até o fato de dar irmãos gêmeos à luz era considerado ou de muita sorte ou de muita falta de sorte. Os lunáticos, os epiléticos e os de mente débil eram freqüentemente adorados pelos seus semelhantes de mentes normais, que acreditavam que tais seres anormais eram habitados pelos deuses. Sacerdotes, reis e profetas foram adorados; os homens sagrados de outrora eram considerados como sendo inspirados pelas deidades.
Os chefes tribais eram deificados quando mortos. Posteriormente, 'almas' que se distinguiram eram santificadas depois de falecidas. A evolução, sem ajuda, nunca originou deuses mais elevados à os 'espíritos glorificados', exaltados e evoluídos dos humanos mortos. Na evolução primitiva, a religião cria os seus próprios deuses. No curso da revelação, os deuses formulam religiões. A religião evolutiva cria os seus deuses à imagem e à semelhança do homem mortal; a religião busca transformar o homem mortal à imagem e à semelhança de seu's Deus'es.
(Considerações psicológicas sobre o Gênesis Outros pontos sobre o Éden)
A situação psicológica no Gênesis está bastante confusa no capitulo 2 versículo 9. O Deus israelita deu uma ordem para Adão não comer da árvore do conhecimento, das outras tudo bem, mas da insólita árvore do conhecimento do bem e do mal, não!
O fato não soa até aí estranho, pois o clero cristão sempre abominou que seus súditos tivessem curiosidades que viessem a atrapalhar todo um processo de proselitismo, mas como veremos adiante de onde veio a árvore da vida eterna? Adão poderia comer desse importante fruto?
Os eruditos do cristianismo tomam uma postura de mestres do conhecimento e afirmam que o gênesis é apenas para aqueles que o entendem como um mito, onde Deus nos fala através de sinais e simbolismos e não devemos toma-lo como literal, mas omitem o fato de que por incrível que pareça a fábula do pecado original não esta nos originais judeus, era totalmente desconhecidos por esses. A epopéia do pecado original só foi implantada nos textos bíblicos por volta do século V EC. por Tomás de Aquino.
Mas eu pergunto de maneira enfática a esses lúdicos: Se o gênesis é apenas um amontoado de simbolismos, e que então não existiram nem Adão, nem Eva ou a serpente, qual seria afinal o sentido ou o fator psicológico da redenção? Se não houve um pecado original, qual é o sentido da vinda do Jesus Cristo bíblico a Terra?
Notemos que o Novo Testamento depende totalmente do sentido literal do Gênesis, se o mesmo não pode ser tomado como real, então o Novo Testamento inteiro desaba. É uma situação seriíssima para os estudiosos cristãos. Vamos a mais algumas respostas intrigantes sobre os simbolismos psicológicos do Gênesis bíblico.
Quando Deus assentou no centro do jardim a árvore do conhecimento do bem e do mal ele já conhecia o mal, como pode ser isso se o pecado ainda não havia se consumado?
Se Deus já conhecia o mal então Adão foi vítima de um plano maligno, pois o mesmo era totalmente ingênuo e fez o mal sem saber o que era. Adão se escondeu quando ouviu a voz de Deus e ficou com vergonha porque estava nu. Que coisa estranha, um Deus que anda? Mas ele não era espírito? Se o nosso Adão estava nu, Deus também estava?
Qual a razão de Cristo usar roupas, se o mesmo não pecou, não poderia ter vergonha de seu corpo, pois também nascera sem o auxílio do pecado carnal. Lemos no capítulo anterior que Deus tinha o conhecimento do bem e do mal e mesmo assim ele não tinha vergonha de estar nu perante seus filhos?
No capitulo 3 versículo 22 existe uma afirmação no mínimo curiosa que as exegeses cristãos não conseguem se encontrar até hoje; Que raios de árvore da vida eterna é essa?
Adão não precisava comer da árvore da vida, pois Deus lhe fez eterno, então qual o sentido da afirmação? Provavelmente essa tal imortalidade de Adão seria somente figurativa. Temos aí a repetição das mesmas árvores sagradas espalhadas por várias culturas, como já ditamos acima. A fábula da serpente é das mais engraçadas do modo psicológico cristão como é descrita na Bíblia, afirmo de modo engraçado porque como vimos essa fábula é muito conhecida entre os povos da mesopotâmia e oriente próximo.
Como já citamos a serpente é um símbolo místico cultuado por muitos povos e ela representa o poder da inteligência, da magia, e da cura. O deus Asclépio da mitologia grega praticava supostas curas milagrosas usando como símbolo uma serpente enrolada em um cajado, símbolo esse usado até os dias de hoje na medicina. Não confundir com o símbolo de Hermes (duas cobras) No Egito esse mesmo réptil foi bastante cultuado com o símbolo de inteligência e poder de cura, e também como um símbolo que pode trazer o mal, obviamente devido ao poder de seu veneno. Em outras culturas essa é vista como um poder maligno, como nas culturas pré-incas da América central, no Japão e na China.
Um outro ponto importante a se destacar é que a serpente também é um símbolo fálico e erótico podendo o capitulo três de Gênesis ter denotações extremamente sexuais Deus matando animais para fazer roupas para Adão e Eva realmente foi de um mau gosto extremo e denota um prazer quase que sexual.
Para finalizarmos este tópico só quero enfatizar que a criação dos querubins (Keuarobh), seres alados habitantes do céu não é um original bíblico, mas foi uma criação do Zoroastrismo, religião persa, onde serpentes aladas transmitiam as vontades do deus Tammuz para os homens. Podemos observar ate aqui a necessidade intrínseca dos copistas bíblicos ou dos redatores judeus, de se comunicar com seu Deus à maneira pagã.
Como já vimos, nos primeiros capítulos do livro de Gênesis, o conto da criação no jardim do Éden é uma das mais difundidas idéias entre praticamente todos os povos da Era do Bronze, não sendo primazia de El ou Iahwéh ou como queiram, o Deus bíblico.
Os sumérios, babilônicos, hindus, fenícios etc... traziam em seu folclore essa estória que era passada de boca em boca durante muitos séculos, sofrendo consequentemente modificações ao longo do tempo. Notamos que a versão hebréia ou bíblica é especialmente pobre e com desconexões pertinentes à condição do povo hebreu, que subsistia com dificuldades, e à compilação tardia na escrita judaica.
No capítulo quatro de Gênesis verificamos mais alguns desses absurdos que só podem ocorrer em estórias mal contadas e no qual se sabe muito pouco sobre o que se escreve.
Na descrição de Caím matando Abel podemos verificarmos que além da teoria dos afins já demonstrada, tem-se a analogia entre vários contos de conflitos entre irmãos gêmeos como entre Esaú e Jacó, Rômulo e Remo, fundadores mitológicos de Roma, etc... Nessas narrativas que o primogênito (que nasce segundos antes) sempre entra em conflito com o irmão mais novo e sai perdendo, verificamos a nítida necessidade do mais fraco vencer o mais forte,como era a condição do povo hebreu.
Caím sai da luta com o irmão como assassino, e consequentemente perdendo, pois vira um amaldiçoado. Esse fato pode também demonstrar que o povo hebreu tinha verdadeira aversão aos povos vizinhos (provavelmente os caldeus) que tinham uma tecnologia maior e construíam, (como é dito na bíblia), cidades e plantavam para comer e fazer comércio. O povo hebreu a essa época morava em cavernas ou tendas e vivia do pastoreio de cabras e carneiros, sendo muitas vezes nômades.
Esaú perde a benção do pai para o irmão mais novo e mais esperto, Jacó. A lenda da fundação de Roma é muito anterior aos mitos equivalentes bíblicos, Rômulo o mais novo mata Remo e toma o poder em Roma, implicando em uma explicação psicológica da passagem do povo romano para um novo modo de vida ou pensamento. Temos ainda várias narrações no mundo mítico antigo, onde o desfecho passional é semelhante, e com análogo pensamento.
Um outro conto que não acontece entre irmãos, mas também denota o mesmo sentido, é o conto de Davi e Golias. O mais fraco derrotando miseravelmente o mais forte e poderoso. O engraçado é que na bíblia Golias morre umas três vezes. No AT (II Samuel) Davi mata Golias, depois mais tarde o irmão mais velho de Davi também mata o pobre coitado, e por fim o primo de Davi vai lá e sacrifica mais uma vez o anatemático Golias.
No desespero de arrumar desculpas e tentar arranjar as discrepâncias e falácias bíblicas, alguns religiosos estão perdendo a compostura e o senso de burlesco. Nos é apresentado conclusões e interpretações estapafúrdias sobre as narrações da Bíblia, pelos clérigos de plantão, onde estes se esquecem que não estamos mais na idade média. Quando não conseguem explicar o inexplicável nos é dito que são interpretações além do nosso vão conhecimento, são os mistérios, de sentido psicológico, de Deus. Será que nos tomam por idiotas?
Na Idade Média a alegoria serviu de instrumento de defesa de teólogos, que recorreram às interpretações alegóricas da Bíblia para superarem todas as dúvidas heréticas, pois segundo a exegese cristã, um mesmo fato descrito na bíblia pode ter infinitas interpretações ou sentidos, depende do que se pretende ver. A própria Igreja foi muitas vezes referenciada na literatura teológica com nomes alegóricos como Cidade, Arca ou Aurora. Santo Agostinho ensinou que a Bíblia devia ser lida de forma alegórica: "No Velho Testamento, o Novo Testamento está dissimulado; no Novo Testamento, o Velho Testamento é revelado".
Para o Autor de A Cidade de Deus, a alegoria não está nas palavras, mas deve ser encontrada nos acontecimentos históricos, referindo –se à historicidade alegórica da bíblia. Ao homem não é permitido o conhecimento literal e imediato das Escrituras, pois só por um sentido segundo o homem se poderá aproximar (mas nunca chegar totalmente) da Verdade divina, ou seja, só os "escolhidos" sabem da verdade. S. Tomás de Aquino estabeleceu uma distinção importante entre a alegoria teológica, que não é vista como um artifício retórico, mas como uma visão do Universo, e a alegoria secular ou literária, ou seja, não há simbolismos na bíblia e devemos entender o que está relatado ao pé da letra como fatos verdadeiros.
Deste modo depois da escolástica, a teologia opta gradualmente por proceder a interpretações bíblicas que privilegiem um sentido anacrônico e idiota da forma literal das Escrituras, tomando por verdades reais descrições puramente metafísicas e alegóricas, tornando assim as “fábulas”bíblicas totalmente sem sentido. No próximo capítulo do livro de Gênesis, nos é apresentado as gerações a partir de Adão onde se nota a presença maciça de apenas nomes masculinos retratando mais uma vez, uma sociedade patriarcal.
Em uma leitura superficial um leitor ficaria maravilhado e por certo exclamaria; Como devia ser bom o nível de vida na época de Adão, pois este conseguiu viver 930 anos. Realmente em uma leitura superficial e leiga, um leitor desavisado, acharia maravilhosos os dias vividos não só por Adão, mas também pelos seus descendentes diretos. Mas nós não faremos uma leitura leiga, nos iremos mais a fundo no relato desses fantasiosos dias vividos e encontraremos varias afinidades com outras culturas e mitos e também algumas contradições não muito bem explicadas pelos redatores bíblicos.
Por exemplo, aceitar um intervalo de 400 anos para a permanência e ao mesmo tempo constatar que já a quarta geração, após a ida ao Egito, participou do Êxodo são duas afirmações tão evidentemente incomparáveis uma com a outra, que somos obrigados a classificar tal cálculo, como participante da estapafúrdia tradução literal literada por São Tomás. O nosso afamado Adão ao contrário do que pressagiou Deus, não morreu quando comeu do fruto proibido, pois esse ainda viveu 930 anos, que convenhamos é uma eternidade.
Sabemos que Adão não viveu todo esse tempo, pois o mesmo nem existiu. O tempo de vida descrito no livro de Gênesis para Adão nada mais é que uma alusão, análoga ao tempo de vida dos gigantes descritos nos livros hindus, e que tinham mais de 600 costelas e viviam em torno de 600 a 1000 anos. Note-se que a religião hindu é pelo menos 3000 anos anterior a qualquer registro bíblico ou judeu.
Outra semelhança pode ser feita aos grandes reis sumerianos descritos nas tabuinhas de barro encontradas recentemente em escavações próximo de onde é hoje o Iraque e que contribuíram muito para a, digamos, descoberta desse importante povo da antiguidade. As tabuinhas descrevem os nomes de grandes reis e seus reinos poderosos e divulga para o tempo de vida longa, semelhante aos gigantes hindus e aos patriarcas hebreus.
Está muito claro que as idades atribuídas aos patriarcas bíblicos, aos gigantes hindus e aos reis sumérios não passa de uma alusão ao tempo de reinado ou primazia de um povo sobre uma região em questão. Temos então mais uma prova contra a leitura fundamentalista e literal da originalidade bíblica. É realmente ridículo se acreditar que em uma época quando os indivíduos que viviam em uma região desértica e extremamente árida, sem recursos naturais que pudessem ser coagulantes para um nível de vida aceitável, se pudesse viver perto de mil anos. Sabemos por meio de um estudo sério da antropologia que tais indivíduos não passavam dos 40 anos.
Circuncisão e outras tradições Dentre muitas tradições copiadas pelos judeus temos a circuncisão, no qual se sabe ser egípcia. Ao narrar o que lhe disseram os bárbaros cujos países viajou, Heródoto, como a maioria dos autores mitológicos, não nos diz mais que tolices.
Não devemos dar-lhe crédito, igualmente, quando fala da aventura de Giges e Candolo, de Árion montado num delfim, do oráculo consultado para saber o que fazia Creso, o qual respondeu que ele estava cozendo uma tartaruga numa panela tampada, do cavalo de Dario que, tendo sido o primeiro em relinchar, proclamou seu dono rei, e de cem outras fábulas próprias para divertir crianças e ser compiladas por retóricos.
Quando, porém, fala do que viu, dos costumes dos povos que estudou, das, antiguidades que ubmeteu a exame, aí sim dirige-se a gente grande. "Quero crer" - diz no livro Euterpe - "que os habitantes da Cólchida sejam originários do Egito. Julgo-o mais por mim mesmo que de outra, porque verifiquei ser mais viva a recordação dos antigos egípcios na Cólchida que no Egito a lembrança dos velhos costumes de Colchos."
Pretendia esse povo praieiro do Ponto Euxino ser uma colônia fundada por Sesostris. Quanto a mim, já o conjeturava, não somente por serem adustos e terem os cabelos frisados (crespos), mas porque os povos da Cólchida, Egito e Etiópia são os únicos na terra que sempre praticaram a circuncisão. Quanto aos fenícios e aos habitantes da Palestina, confessam ter copiado tal prática aos egípcios.
Da mesma forma os sírios, que hoje estanciam às abas do Termódon e da Parténia, e seus vizinhos mácrons reconhecem não haver muito tempo que se conformaram a esse costume egípcio. É esse até um dos principais atestados de sua ascendência Egipcíaca" . "Quanto à Etiópia e ao Egito, como a circuncisão é antiquíssima tanto num como noutro, não sei qual dos dois tenha importado essa cerimônia. O mais provável, contudo, é terem-na recebido os etíopes dos egípcios. Assim como, contrariamente, desterraram os fenícios o uso de circuncidar as crianças recém nascidas desde que se intensificou seu comércio com os gregos."
É evidente, de acordo com esse passo de Heródoto, que muitos foram os povos que receberam a circuncisão do Egito. Nenhum, porém, jamais pretendeu tê-la importado dos judeus.
A quem atribuir então a origem desta prática: a uma nação de que confessam havê-la perfilhado cinco ou seis outras, ou a uma nação muito menos poderosa, menos comerciante, menos guerreira, encafurnada num canto da Arábia, que nunca comunicou a povo nenhum o mais insignificante de seus costumes?
Dizem os judeus ter sido outrora caridosamente acolhidos pelos egípcios, apesar da arqueologia moderna negar o fato do povo hebreu ter sido cativo no Egito, a não ser por pequenos grupos semitas que procuravam o Egito atrás de comida. Não é muito verossímil haver esse povo ínfimo imitado um uso do grande povo? Não é natural terem os judeus adotado um ou outro costume de seus senhores?
Conta Clemente de Alexandria que, viajando o Egito, Pitágoras foi obrigado a deixar circuncidar-se para ser admitido em seus mistérios. Quer dizer que, era absolutamente imprescindível ser circunciso para ingressar no sacerdócio egípcio. Antiquíssimo era o governo, e as cerimônias se observavam com a mais escrupulosa exatidão. Confessam os judeus terem "permanecidos" duzentos e cinco anos no Egito. E dizem não haver praticado a circuncisão nesse espaço de tempo.
Claro é, por conseguinte que os egípcios não poderiam ter-lhes copiado essa prática enquanto os tiveram como hóspedes. Teriam feito posteriormente, depois de os judeus lhes haverem roubado todos os vasos que lhes tinham sido emprestados e se mandarem para o deserto levando consigo o fruto do roubo, segundo seu próprio testemunho? Adotará um senhor o costume da religião de um escravo que o roubou e fincou pé no mundo? Não consigo sinceramente entender tal fato.
Diz-se no livro de Josué que os judeus foram circuncidados nos desertos: "Eu vos livrei do que constituía o vosso opróbrio entre os egípcios". Ora, qual podia ser essa maldição para uma nação encravada entre a Fenícia, Arábia e Egito, senão o que os tornava desprezíveis aos olhos destes três povos? Como livrá-los desse opróbrio? Livrando-os de um pouco de prepúcio. Não é o sentido natural do trecho a cima citado?
Diz o Gênesis que o mitológico Abraão foi circunciso. Mas, segundo a bíblia, Abraão esteve no Egito, que era havia muito, reino florescente, governado por poderoso rei. Nada impede que nesse reino tão antigo fosse a circuncisão praticada desde muito tempo antes que se formasse a nação judaica. Demais a circuncisão de Abraão foi um caso isolado.
Só depois de Josué foi que se divulgou entre seus descendentes esse sacramento. Ora, antes de Josué os israelitas aprenderam, como eles mesmos confessam, muitos costumes dos egípcios. Imitaram-nos em não poucos sacrifícios, cerimônias, como os jejuns às vésperas das festas de Ísis, as expurgações, o costume de rapar a cabeça dos padres, o incenso, o candelabro, o sacrifício da vaca ruça, a purificação com hissopo, a abstinência da carne de porco, a aversão aos utensílios de cozinha dos estrangeiros, a própria celebração da páscoa não é original dos hebreus, mas sim, egípcio, tudo atestando que o diminuto povo hebreu, mal grado sua antipatia à grande nação egípcia, retivera infinidade de usos de seus vizinhos.
O bode Hazazel, que enviavam ao deserto carregado dos pecados do povo, era visível imitação de uma prática egípcia. Os próprios rabinos convêm em que a palavra Hazazel (o bode expiatório) não é hebraica. Nada impede, portanto que os hebreus hajam imitado os egípcios na circuncisão, como o fizeram seus vizinhos árabes. Os povos da mesopotâmia à esse tempo pagavam tributos aos egípcios que dominavam a região, nada mais normal que esses pequenos povos copiassem costumes egípcios.
Nada de extraordinário há em que Deus, que santificou o batismo, tão antigo entre os asiáticos, santificasse também a circuncisão, não menos antiga entre os africanos. Já dissemos ser senhor de conferir suas graças aos sinais que se dignar eleger. Demais de tudo, desde que, sob Josué, os judeus foram circuncisos, mantiveram essa prática até nossos dias. O mesmo fizeram os árabes.
Os egípcios, porém, que a princípio circuncidavam os jovens de ambos os sexos, com o tempo deixaram de submeter as moças a tal operação, terminando por restringi-la aos sacerdotes, astrólogos e profetas. É o que nos ensinam Clemente de Alexandria e Orígenes. Efetivamente, nunca se ouviu dizer que os antigos Tolemeus tivessem sido circuncidados.
Hoje a circuncisão é de regra no Egito, mas por outra razão: porque o islamismo adotou a antiga circuncisão da Arábia. Foi essa circuncisão árabe que passou à Etiópia, onde ainda se circuncidam os jovens de ambos os sexos. Não há negar ser à primeira vista bem estranha a cerimônia da circuncisão.
Mas note que em todos os tempos os sacerdotes do Oriente se consagraram às suas divindades por marcas particulares. Entre os padres de Baco o sinal era uma folha de hera gravada a buril (instrumento de aço para gravar na pele). Diz Luciano que os devotos da deusa Tais imprimiam sinais no pulso e pescoço. Os sacerdotes de Cybele faziam-se eunucos.
É muito provável que os egípcios, que veneravam o instrumento da geração (pênis) e carregavam-lhe a imagem em suas procissões, tivessem a ideia de oferecer a Ísis e Osíris, deuses que presidiam a todos os fenômenos de reprodução, uma partícula do Membro por que quiseram essas divindades que o gênero humano se perpetuasse. São os antigos costumes orientais tão diferentes dos nossos que nada parecerá extraordinário a quem quer que tenha um pouco de leitura.
Um brasileiro fica admirado ao saber que os hotentotes, povo africano, cortam aos filhos um dos testículos. Os hotentotes ficariam admiradíssimos se soubessem que os brasileiros conservam os dois.
Até o nome de seu deus os judeus malograram, El é uma entidade persa como já verificamos em outros estudos, foi corrupiada pelos israelitas, Iahwéh aparece em uma Estela egípcia e representa uma entidade com uma cabeça de asno, vale salientar que os antigos hebreus tinham um apreço enorme por asnos dentre outros animais. Qualquer animal considerado puro poderia ser usado em um sacrifício de sangue, menos o asno, e o nome hebreu vem de heberu que significa "adoradores de asnos".
Os cristãos que copiaram aos judeus sua religião, foram bem menos criativos, pois o seu deus nem nome têm, é simplesmente Deus, um nome que tem como origem fonética a mesma do nome DIA ou DIEUS e quer dizer em sânscrito (antiga escrita hindu) Sol, Luz. O nome ZEUS também é uma translação fonética de mesma origem.
Minhas considerações finais em Bônus; Volto ao primeiro tópico dessa postagem, objeto a ser adorado pelo homem em evolução tal qual como ás pedras.
(Ilha de Páscoa)
A Ilha de Páscoa [2] (em espanhol: Isla de Pascua, em rapanui [3] é denominada Rapa Nui ("Ilha Grande"), Te Pito O Te Henúa ("Umbigo Do Mundo") e Mata Ki Te Rangi("Olhos Fixos No Céu") é uma ilha da Polinésia oriental, localizada no sul do Oceano Pacífico (27º 7' latitude Sul e 109º 22' longitude Oeste). Está situada a 3 700 km de distância da costa oeste do Chile e constitui a província chilena de Ilha de Páscoa.
Na pré-história humana, até 1200 AEC., a expansão polinésia é contada como uma das explorações marítimas mais dramáticas. Povos vindos do continente asiático – agricultores, navegadores, aparentemente originários do arquipélago de Bismark, a nordeste da Nova Guiné, atravessaram quase dois mil quilômetros de mar aberto, a bordo de canoas, para atingir as ilhas da Polinésia Ocidental de Fiji, Samoa e Tonga. Os polinésios, apesar da ausência de bússola, instrumentos de metal e escrita, eram mestres da arte da navegação e da tecnologia de canoas à vela. Os seus ancestrais produziam uma cerâmica conhecida como estilo lapita.
A pedreira - Os moais
Os moais são estátuas esculpidas a partir das pedras do vulcão Rano Raraku, dispostas em diversas plataformas, que podem ser de 2 tipos: "ahu", situam-se junto ao mar e têm câmara crematória; ou plataformas "marai" que se situam em zonas mais elevadas, onde se faziam observações astronómicas. A maior plataforma tem 15 moais, mas existem plataforma apenas com 1 moai. O maior deles tem 21 metros e está inacabado, estando ainda na pedreira do vulcão. O maior moai que foi colocado de pé é o "Paro" e tem 11 metros.
Mitologia e religião
Em a estrutura cosmológica e religiosa dos povo Rapanui (habitantes originais), os mitos mais importantes são:
- Hotu Matu'a: O lendário fundador da ilha.
- Tangata manu: O culto ao homem-pássaro, que era praticado até a década de 1860


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